Operação policial prendeu tenente-coronel em menos de 30 minutos em apartamento no interior de SP
18/03/2026
(Foto: Reprodução) Operação policial prendeu tenente-coronel em apartamento no interior de SP
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito de feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, foi preso na manhã desta quarta-feira (18) durante uma operação que durou menos de 30 minutos.
A prisão ocorreu em um apartamento mantido por ele na rua Roma, no Jardim Augusta, região central de São José dos Campos.
A ação foi realizada por policiais civis e militares. As equipes entraram no bloco pouco depois das 8h e o oficial não resistiu à prisão. No apartamento onde ele estava, uma mensagem na porta dizia: “visitante seja bem-vindo, mas não faça movimentos bruscos”.
Ele deixou o prédio escoltado e foi levado em uma viatura. O tenente-coronel foi colocado no banco de trás da viatura, entre dois policiais, e não estava algemado.
O cumprimento do mandado de prisão, decretado pela Justiça Militar, foi tranquilo dentro do condomínio. O único incidente aconteceu na saída, quando dois carros da polícia bateram (veja vídeo acima).
Depois, ele foi encaminhado na tarde desta quarta-feira (18) ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.
Prédio e apartamento onde tenente-coronel foi preso nesta quarta-feira.
Foto 1: Marcelo Sarlo/Foto 2: Reprodução Rede Vanguarda
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Segundo apuração do g1, Geraldo mantinha o imóvel na cidade por já ter trabalhado em São José dos Campos. Ele estava no local desde o início do mês, após pedir afastamento das funções por causa da morte da esposa. Ele vai responder pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
Há exatamente um mês, em 18 de fevereiro, o corpo da soldado Gisele foi encontrado no apartamento onde o casal morava, em São Paulo.
Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio. O próprio tenente-coronel ligou para a polícia e apresentou essa versão. Com o avanço das investigações, laudos e depoimentos mudaram o rumo do caso.
Segundo a família, Gisele pretendia terminar o relacionamento. Ela relatava viver uma relação abusiva e conturbada. Em mensagens enviadas a uma amiga, escreveu: “tem que controlar ciúmes dele”, “qualquer hora me mata” e “fica cego”.
tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito de feminicídio.
Reprodução/TV Vanguarda
Visitas em apartamento no interior de SP
Nesta terça-feira, o tenente-coronel recebeu a visita de um homem no prédio onde mora, no bairro Jardim Augusta, na região central da cidade, após o pedido de prisão feito pela polícia à Justiça.
A apuração da TV Vanguarda indica que o visitante tem ligação com uma igreja evangélica, mas ele não quis falar com a imprensa.
Imagens feitas na tarde desta terça-feira (17) mostram o momento em que o oficial desce até a portaria para encontrar o visitante. Ambos aparecem conversando rapidamente e deixam o local sem falar com a imprensa - veja vídeo abaixo.
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Problemas no relacionamento
Mensagens enviadas pela policial a uma amiga, divulgadas pela defesa da família, indicam que Gisele enfrentava problemas no relacionamento. Em um dos trechos, Gisele afirma: "Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata".
Em depoimento, a mãe da vítima afirmou que a filha vivia um relacionamento abusivo e que o oficial era controlador e violento.
A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto
Montagem/g1
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Laudos da perícia apontaram lesões no rosto e no pescoço da policial, além de indicarem que o disparo foi feito à queima-roupa.
Também não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos dela, o que levanta dúvidas sobre a hipótese de suicídio, inicialmente como o caso foi investigado.
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Defesa de coronel sustenta suicídio
Quase um mês após a morte de Gisele Santana, a defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto ainda sustenta a versão de que a soldado se suicidou com um tiro na cabeça no apartamento do casal em São Paulo.
“A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil com a juntada de todos os laudos e externa a confiança na palavra do coronel: de que trata-se de suicídio", disse no sábado (14) ao g1 o advogado Eugênio Malavasi, que defende o coronel Geraldo, da Polícia Militar (PM). "E isso será comprovado de forma cristalina ao final da investigação”.
Já o advogado que defende os interesses da família de Gisele subiu o tom ao alegar que a morte da soldado foi consequência de um crime, o feminicídio — cometido, segundo ele, pelo próprio marido dela, o coronel Geraldo.
"Eu não tenho dúvidas que ele [coronel Geraldo] matou ela [Gisele]. Mas cabe à polícia provar", disse o advogado José Miguel da Silva Júnior também no sábado à equipe de reportagem.
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos.
Montagem/g1/Arquivo pessoal
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos.
Reprodução
PM Gisele Alves Santana foi encontrada morta em casa na cidade de São Paulo.
Reprodução/TV Globo/Fantástico
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