O que se sabe sobre o caso da mulher trans apedrejada e espancada em Barretos, SP

  • 17/10/2026
(Foto: Reprodução)
Motorista de app diz que foi ameaçado por agressor de mulher trans em Barretos, SP A Polícia Civil investiga uma tentativa de homicídio contra uma mulher trans de 43 anos, conhecida como Jade, em Barretos (SP). Ela foi apedrejada e espancada por dois homens na madrugada de segunda-feira (12). O crime aconteceu na Praça São Benedito e foi registrado por câmeras de segurança. Jade está internada na Santa Casa de Barretos. O estado de saúde é considerado grave, mas estável. Um dos agressores foi preso. O segundo envolvido ainda não foi localizado. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O delegado responsável pelo caso, Guilherme Carvalho de Oliveira, apura a dinâmica e a motivação do crime. A violência provocou indignação na família da vítima e na comunidade de Barretos. O bispo, Dom Milton Kenan Júnior, divulgou uma nota de repúdio e pediu punição aos responsáveis. “A gente está bem arrasado de ver a situação que ela está. Ela está irreconhecível. A gente quer justiça”, disse a empregada doméstica Janaina Cristina dos Santos, irmã dela. Veja o que se sabe sobre o caso: Quem é a vítima? Jade tem 43 anos e é a segunda filha de quatro irmãos. A irmã disse que ela é conhecida pela simpatia e pela solidariedade com pessoas em situação de rua, já que costuma ajudar quem precisa de abrigo. Segundo Janaina, atualmente, Jade está morando em uma casa cedida por um conhecido da família. No local, ela passou a acolher pessoas sem moradia. "Ela é uma pessoa que não faz mal a ninguém, por onde passa sempre educada com as pessoas, sempre procura ajudar os outros moradores de rua. Ela sempre fala que sabe como é ruim dormir na rua, passar frio ou dormir na chuva." Jade foi espancada no meio da rua em Barretos, SP Redes sociais Ainda segundo Janaina, a irmã enfrenta problemas relacionados ao consumo de álcool e drogas, mas ressaltou que ela estava lúcida quando passou pela casa da família, horas antes do crime. “Ela tinha vindo na minha casa de dia, eu moro no quarteirão de cima de onde ela mora. Tinha vindo aqui, era umas 15h, conversou comigo. Aí à noite, era 0h30, passou aqui, me chamou, não estava bêbada, não estava drogada. Estava lúcida e subiu para a pracinha, que estava tendo quermesse, e foi quando aconteceu tudo.” O que aconteceu? Jade foi atacada por dois homens por volta das 4h de segunda-feira (12), na Rua Trinta, nas proximidades da Praça São Benedito, em Barretos. Imagens de câmeras de segurança registraram a violência (assista abaixo). O vídeo mostra a vítima ferida e caída no chão, sem qualquer chance de reação. Ela recebeu vários chutes e socos na cabeça e ainda levou pisões no peito. Um dos agressores chegou a tentar estrangulá-la. Um motorista de aplicativo presenciou o ataque e contou que, inicialmente, Jade ainda tentou se proteger com os braços de tijolos arremessados na direção dela. "Horrível. Comecei a tremer na hora, comecei a entrar em desespero, porque eu nunca vi isso na minha vida. Nunca vi isso na minha vida.” Lavrador é preso por espancar e tentar matar mulher trans em Barretos, SP; vídeo Como a polícia foi chamada? O motorista de aplicativo, que prefere não de identificar, transportava passageiros pela Rua Trinta quando presenciou o início das agressões e ligou para a Polícia Militar. Segundo ele, os suspeitos chegaram a impedir a passagem de veículos pela rua e desafiaram quem tentava se aproximar. O motorista deu voltas no quarteirão para conseguir deixar os passageiros no destino. Ao retornar, encontrou Jade caída e ensanguentada. Como o socorro ainda não havia chegado, ele decidiu procurar pessoalmente o plantão policial. "Eu fui correndo até a delegacia e pedi socorro para eles. E foi quando eles agiram de forma rápida.” O motorista contou que ficou desesperado com a violência e que gostaria de ter feito mais pela vítima, mas não conseguiu sair do carro por causa das ameaças de um dos agressores. Jade foi levada à Santa Casa. A irmã conta que a família encontrou a vítima desfigurada. “Ela está irreconhecível. Meu irmão correu lá na Santa Casa e a hora que ele chegou, já pegou a Jade saindo da sala de cirurgia. Aí você imagina o baque que foi de ver o estado que ela estava.” LEIA TAMBÉM: Lavrador é preso por espancar e tentar matar mulher trans em Barretos; vídeo 'Família está arrasada', diz irmã de mulher trans espancada em Barretos Bispo de Barretos condena espancamento de mulher trans e cita ensinamentos do Papa Lavrador agride mulher trans por suposto furto de celular em Barretos, SP Reprodução/Câmeras de segurança Quem foi preso? O lavrador Adilson Pereira, de 35 anos, foi preso pela Polícia Militar ainda no local, ao lado de Jade, caída no chão. Segundo o boletim de ocorrência, Adilson confessou participação nas agressões durante o depoimento à Polícia Civil. Ele alegou que o ataque foi motivado por um desentendimento relacionado à cobrança de um aparelho celular. Nas imagens, é possível ouvir Adilson cobrando o telefone de Jade, gravemente ferida no chão. A versão apresentada pelo suspeito é contestada pela família da vítima. Segundo o motorista de aplicativo, Adilson afirmou na delegacia que só não matou a vítima porque os policiais chegaram. Adilson passou por audiência de custódia na segunda-feira e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça. A Defensoria Pública de São Paulo informou que participou da audiência para verificar a legalidade da prisão. As manifestações sobre o caso serão realizadas exclusivamente nos autos do processo, disse o órgão. O lavrador Adilson Pereira preso por espancar mulher trans no meio da rua em Barretos, SP Reprodução Onde está o segundo suspeito? O segundo homem apontado como participante da agressão ainda não foi localizado pela polícia. Até a última atualização, não havia novidades sobre o paradeiro dele, de acordo com a Polícia Civil. A irmã de Jade questiona por que o homem não foi preso no dia do crime. Segundo Janaína, as imagens às quais a família teve acesso mostram que ele ainda estava no local quando a polícia chegou. Como está a família? A família de Jade vive momentos de angústia desde a agressão. A mãe, a pensionista Marisa dos Santos Oliveira, relata o sofrimento de acompanhar a filha internada em estado grave. "Meu coração está estraçalhado." Janaína diz que todos estão abalados. Segundo ela, Jade é uma pessoa muito querida e o caso causou revolta na cidade. "A gente está bem arrasado de ver a situação que ela está. Ela está irreconhecível. A gente quer justiça", afirma. A pensionista Marisa dos Santos Oliveira chora pela filha internada após ser espancada em Barretos, SP Cacá Trovó/EPTV O caso provocou uma manifestação pública da Igreja Católica. Na quinta-feira (15), o bispo de Barretos, Dom Milton Kenan Júnior, divulgou uma nota em que repudiou a violência e prestou solidariedade à família. "Acredito que, movidos pela nossa fé cristã, não podemos deixar de manifestar publicamente nossa indignação com atos como este, que ferem a dignidade humana." O religioso também defendeu a punição dos responsáveis e manifestou o desejo de que Jade se recupere e volte ao convívio da família e da sociedade. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca Vídeos: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/10/17/o-que-se-sabe-sobre-o-caso-da-mulher-trans-apedrejada-e-espancada-em-barretos-sp.ghtml


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