O que é a curetagem, procedimento feito em grávida que descobriu bebê vivo após diagnóstico de aborto

  • 20/08/2026
(Foto: Reprodução)
Grávida descobre que bebê está vivo 1 mês após médico falar de aborto A curetagem, procedimento realizado em uma gestante de Sumaré (SP) que recebeu o diagnóstico de aborto e depois descobriu que o feto continuava vivo, é uma técnica utilizada para retirar material do interior do útero em determinadas situações obstétricas. O procedimento, no entanto, não é isento de riscos. Segundo o Manual de Atenção Humanizada ao Abortamento do Ministério da Saúde, a rigidez dos instrumentos de aço utilizados na raspagem do útero pode provocar acidentes graves, como a perfuração uterina. O documento oficial do governo federal destaca ainda que a escolha da técnica deve ser feita de forma compartilhada entre a mulher e a equipe de saúde, com respeito à autonomia da paciente. Atualmente há técnicas mais indicadas, como a Aspiração Manual Intrauterina (AMIU). LEIA TAMBÉM: Grávida passa por curetagem após diagnóstico errado de aborto e descobre bebê vivo um mês depois Como funciona a curetagem A curetagem consiste no esvaziamento do útero por meio da raspagem da cavidade uterina. O objetivo é extrair restos de placenta ou material de concepção que permanecem no órgão após um abortamento. O médico introduz no útero um instrumento de aço rígido chamado cureta, disponível em diâmetros variáveis. A cureta é utilizada para raspar as paredes internas e desprender o material que precisa ser removido. Caso o colo do útero esteja fechado, é necessário ainda realizar a dilatação cervical mecânica ou utilizar medicamentos, como o misoprostol, para promover o amolecimento prévio do colo uterino. Quais são os riscos Grávida passa por curetagem por engano e descobre feto vivo sem líquido amniótico em Sumaré Reprodução/EPTV Por envolver o uso de instrumentos rígidos de aço dentro do útero, a curetagem apresenta riscos físicos imediatos e tardios, segundo o manual: perfuração uterina: é o acidente mais comum associado à rigidez do instrumental; hemorragias e infecções: complicações físicas que podem surgir durante ou após a raspagem; lesões em outros órgãos: risco de perfurações acidentais que atinjam órgãos adjacentes; infertilidade: danos ao sistema reprodutor que podem comprometer futuras gestações; lesões no canal cervical: riscos adicionais caso o colo do útero precise ser forçado para a entrada da cureta; impactos psicossociais: em contextos não humanizados, o procedimento pode causar transtornos mentais, sentimentos de culpa e traumas. Quando a curetagem é indicada A diretriz do Ministério da Saúde orienta que a curetagem deve ser utilizada nas seguintes circunstâncias: persistência de restos ovulares: quando o abortamento é incompleto ou inevitável e há permanência de sangramento; volume uterino superior a 12 semanas: nesses casos, a técnica é recomendada após o uso de medicamentos para a expulsão do feto; abortamento infectado: quando a remoção do material precisa ser feita sob infusão de ocitocina; abortamento previsto em lei: como nos casos de estupro ou risco de vida para a gestante. O que é a AMIU A norma técnica ressalta, contudo, que a curetagem não deve ser a primeira opção de tratamento. O Ministério da Saúde recomenda a AMIU como a técnica de escolha prioritária por ser mais segura. Assim, a curetagem deve ser utilizada apenas quando a aspiração não estiver disponível. Diferente da curetagem, que utiliza instrumentos rígidos, a AMIU é considerada mais segura, rápida e associada a menores taxas de complicações. O procedimento utiliza uma seringa e consiste em remover o material por meio do vácuo. Entenda o caso de Sumaré Gestante passa por curetagem com bebê vivo no Hospital Estadual de Sumaré Em junho, um exame realizado em Paulínia (SP) apontou que a gestação da paciente corria normalmente, com um embrião de seis semanas e cinco dias. Depois disso: No dia 12 de julho, ao apresentar sangramento sem dor, ela buscou atendimento no Hospital Estadual de Sumaré (HES). Uma médica realizou apenas um exame físico de toque, atestou o aborto espontâneo e encaminhou a paciente para a curetagem no mesmo dia, sem realizar exame de ultrassom. A continuidade da gravidez só foi descoberta em meados de agosto, quando a mulher precisou fazer um teste de sangue antes de tomar um anticoncepcional injetável. O resultado deu positivo. Uma ultrassonografia de urgência confirmou que o feto continuava vivo, com batimentos cardíacos de 157 por minuto e peso estimado de 170 gramas. O exame, porém, apontou ausência total de líquido amniótico. Profissionais de saúde admitiram à paciente que a curetagem pode ter perfurado a bolsa gestacional. A paciente relatou que a equipe médica pediu desculpas e sugeriu a interrupção da gestação devido aos riscos para a saúde dela e à viabilidade do bebê. Ela recusou a proposta "Tô vivendo uma situação muito difícil e eu não quero tirar a vida do meu bebê. Enquanto há vida, há esperança, eu vou ter essa gestação até quando Deus permitir viver", declarou. O que diz o hospital "O Hospital Estadual de Sumaré (HES) lamenta o ocorrido e informa que abriu uma sindicância para apurar a conduta da equipe relacionada ao atendimento prestado à paciente. Se constatadas irregularidades, medidas cabíveis serão adotadas. O HES reforça que acolheu a paciente e seus familiares, prestando todo o apoio e os esclarecimentos necessários. O HES reafirma seu compromisso com a oferta de assistência qualificada, humanizada e segura à população". VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais reportagens sobre a região na página do g1 Campinas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/08/20/o-que-e-a-curetagem-procedimento-feito-em-gravida-que-descobriu-bebe-vivo-apos-diagnostico-de-aborto.ghtml


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