'Minha alma saiu e voltou pro corpo', diz carregador que estava em prédio que desabou no Brás, em SP
06/11/2026
(Foto: Reprodução) Wesley Aureliano, vítima de desabamento no Brás nesta sexta (6)
Abraão Cruz/TV Globo; e Reprodução
Pessoas que estavam dentro do prédio de quatro andares que desabou na noite desta sexta-feira (6), no Brás, região central de São Paulo, relataram o desespero para conseguir escapar do imóvel. Um dos trabalhadores afirmou que cerca de 30 colegas estavam com ele no momento do acidente e que o grupo precisou sair pelo telhado, por cima dos destroços. As causas do desabamento ainda não foram informadas.
"Foi apavorante, amigo. Foi um milagre de Deus. Tinha umas 30 pessoas lá dentro. Ficamos todos presos lá dentro. A minha alma saiu e voltou pro corpo de novo. Foi triste", afirmou Vando de Jesus Bispo, que trabalha há seis anos com carregamento de tecidos.
Segundo ele, as pessoas que estavam no imóvel se ajudaram para conseguir escapar, e três amigos ficaram feridos com mais gravidade. Uma das vítimas foi o carregador Wesley Aureliano, que ficou com hematomas nas costas (foto acima).
Vando afirmou que havia muita mercadoria dentro do imóvel e, ao ser questionado sobre o que poderia ter causado o desabamento, ele apontou o excesso de peso.
Felipe, outra vítima do acidente, disse que estava no último andar quando a estrutura começou a desmoronar. Segundo ele, havia acabado de deixar tecidos no local.
"Como eu consegui sair? Sendo astuto. Se o cara não for mais louco que um louco no meio de tudo aquilo desmoronando em cima de você, o cara ia ficar por lá mesmo. Se eu não saio empurrando o que tá na minha frente, eu ia morrer lá", disse.
Rosilene Oliveira estava sentada do lado de fora da loja quando o prédio desabou. "Eu estava sentada lá e meu marido tinha acabado de entrar quando aconteceu. Foi de repente", relatou.
Desabamento
O prédio comercial fica localizado na Rua Maria Joaquina, no Brás, região central de São Paulo. Havia 35 pessoas no local no momento do acidente, 27 foram retirados pelos bombeiros, 8 saíram por meios príprios, sendo que 4 tiveram ferimentos e foram encaminhados para uma UPA.
Segundo informações preliminares, todas as pessoas conseguiram sair do prédio com vida. A maioria teve ferimentos leves, e algumas vítimas foram socorridas pelo resgate e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Imagens registradas pelo Globocop mostram que a parte de trás do prédio ficou completamente destruída, enquanto a estrutura de vidro da fachada permaneceu de pé.
Prédio desaba no Brás, Centro de SP, e deixa feridos
Uma vizinha do imóvel, Claudneia, contou que ouviu o barulho do desabamento e saiu para acompanhar o trabalho dos bombeiros. Ela afirmou ter visto pessoas sendo retiradas com vida.
"Por volta das 18h30, a minha filha gritou 'mãe, um caminhão bateu aqui na rua'. Aí eu falei 'não, filha, não tem caminhão aqui'. Aí ela olhou e já tinha bastante fumaça. Ela disse 'mãe, não foi um caminhão, a loja caiu'", contou.
Felipe estava no prédio no momento do desabamento
Abraão Cruz/TV Globo
Feridos nas lonas
Reprodução/TV Globo
Feridos
Paramédicos atendem os feridos no local do desabamento.
Os bombeiros estenderam quatro lonas de cores diferentes — verde, amarela, vermelha e preta. Mas por que essas lonas coloridas foram estendidas?
Porque o Método START, usado em catástrofes, foi acionado. Isso acontece quando o número de socorristas é inferior ao número de vítimas. O objetivo é fazer uma triagem das vítimas pela gravidade dos ferimentos para priorizar o atendimento aos pacientes que têm mais chances de sobreviver com o tratamento disponível.
START (do Inglês Simple Triage and Rapid Treatment, ou Triagem Simples e Tratamento Rápido).
O método avalia quatro pontos-chave para determinar a prioridade, com base em um conjunto de critérios simples e rápidos, que deve ser aplicado em cerca de 30 a 60 segundos por vítima.
Triagem rápida: os socorristas avaliam rapidamente os pacientes e os categorizam por cores para que o atendimento seja priorizado.
Avaliação da capacidade:
Respiração: Se a vítima não respira, abre-se a via aérea. Se a respiração voltar, a vítima é classificada como vermelha. Se continuar sem respirar, é considerada preta/cinza.
Perfusão: Se a respiração estiver normal, avalia-se a perfusão periférica (como o sangue está circulando nas extremidades do corpo). Se for normal (inferior a 2 segundos), a vítima pode ser considerada cor amarela.
Consciência: Se a vítima estiver em respiração normal e com perfusão normal, avalia-se o nível de consciência. Se conseguir seguir ordens simples, pode ser classificada como amarela.
Mobilidade: O socorrista pergunta se a vítima consegue andar. Se sim, é verde. Se não, é avaliada novamente quanto à respiração e perfusão.
Cores de triagem
🟩 Verde: Ferimentos leves, que podem andar e ajudar outros.
🟨 Amarelo: Podem aguardar (ferimentos moderados).
🟥 Vermelho: Atendimento imediato (ferimentos graves com risco de vida, mas com chance de sobrevida).
⬛ Preto/Cinza: Falecidos ou com pouca chance de sobrevivência.
A CET bloqueou ruas no entorno do acidente:
Rua Maria Joaquina
Bloqueio entre as ruas Joli e Mendes Júnior,
Rua Xavantes com a Rua Mendes Jr.,
Rua Oriente com a Rua Xavantes.
Prédio de quatro andares desaba no Brás
Prédio de 4 andares desaba e deixa feridos no Brás, em SP
Prédio desaba no Brás
Arquivo pessoal