Menina de 8 anos tem braço amputado após volta de câncer raro e sonha com prótese: 'Mais autonomia'
11/08/2026
(Foto: Reprodução) Áurea Bravo Munhos luta para conseguir uma prótese após amputar o braço direito.
Arquivo Pessoal
Uma menina de oito anos precisou passar pela amputação do braço direito e de parte do ombro para conter um câncer raro. Moradora de Santos, no litoral de São Paulo, Áurea Bravo Munhos luta contra a doença há mais de um ano e, agora, sonha em conseguir uma prótese para realizar as atividades do dia a dia com mais autonomia.
A cirurgia de amputação foi realizada no dia 20 de julho, após o retorno da doença de forma mais agressiva. Segundo a família, a decisão foi dolorosa, mas os médicos consideraram o procedimento como a melhor alternativa para preservar a vida da criança.
Após o procedimento, o primeiro laudo apontou que nove linfonodos (pequenas estruturas que fazem parte do sistema linfático e ajudam a defender o organismo) retirados do braço estavam livres da doença. A família, porém, ainda aguarda a conclusão dos exames para saber se Áurea está livre do câncer.
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Áurea luta contra o câncer há mais de um ano.
Arquivo Pessoal
Diagnóstico de câncer raro
A batalha de Áurea contra o câncer começou em abril de 2025, quando a família identificou um caroço no braço direito da menina. Ela foi levada ao ortopedista, que solicitou uma ressonância magnética e constatou a presença de um tumor na região do cotovelo.
Após uma série de exames e biópsias, Áurea conseguiu atendimento no Hospital do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), em São Paulo, em agosto de 2025.
Inicialmente, o diagnóstico apontava para um osteossarcoma de partes moles, um tipo de tumor maligno que se forma nos tecidos moles do corpo, como músculos, gordura e tecido conjuntivo.
A menina passou por seis ciclos de quimioterapia e três cirurgias. Em uma das biópsias, porém, os médicos identificaram que se tratava de um PEComa (Tumor de Células Epitelioides Perivasculares), um câncer raro que se desenvolve a partir de células associadas aos vasos sanguíneos.
Volta do tumor
Ao g1, a irmã de Áurea, Giovana Bravo Munhos Santana Martes, de 21 anos, contou que a família chegou a acreditar que a menina estava livre da doença após meses de tratamento.
A família comemorou a notícia com uma viagem para Porto Seguro (BA). Durante o voo de São Paulo para o destino, uma comissária de bordo anunciou aos passageiros que Áurea havia vencido um câncer raro no cotovelo (assista adiante).
“Depois de tanta luta, recebemos a notícia de que ela estava livre da doença e acreditamos que o pior já tinha passado em fevereiro. Infelizmente, alguns meses depois, em abril, o câncer voltou de uma forma muito mais agressiva e rápida”, relatou a irmã de Áurea.
Menina de 8 anos vence câncer raro e família comemora em voo
Segundo Giovana, o tumor voltou inicialmente na região da axila. Com o passar das semanas, a família percebeu um novo crescimento próximo ao cotovelo, local onde a doença havia começado.
Diante da evolução do quadro, Áurea iniciou uma nova etapa do tratamento com a quimioterapia ICE, considerada mais intensa. Foram realizados dois ciclos, mas não apresentaram resposta positiva. A equipe médica também tentou retomar o protocolo inicial de quimioterapia, mas a doença continuou avançando.
“Os médicos falaram que a retirada do braço e do ombro seria a melhor opção para salvar a vida da Áurea”, afirmou a irmã.
Giovana ressaltou que, mesmo diante das adversidades, Áurea mantém a rotina, sorri, brinca e vai à escola como qualquer outra criança.
“Quando contamos para ela, a resposta foi: ‘Tudo bem, se isso acontecer é para eu ficar viva e bem’. Mesmo passando por tudo isso, a Áurea continua nos ensinando todos os dias o verdadeiro significado de força”, disse.
Sonho da prótese
Agora, o principal sonho de Áurea é conseguir uma prótese. "Ela fala sobre poder fazer coisas simples do dia a dia com mais autonomia, brincar com mais facilidade e viver sua infância da forma mais livre possível", contou a irmã.
Como o custo do equipamento é alto e está além das condições financeiras da família neste momento, parentes e amigos iniciaram uma campanha de arrecadação para tentar ajudar Áurea a conquistar a prótese.
Áurea luta por uma prótese após amputação de braço.
Arquivo Pessoal
Tratamento continua
Mesmo após a amputação, Áurea continua em tratamento contra o câncer. Segundo a família, ela toma quimioterapia em comprimidos diariamente em casa e precisa ir ao GRAACC a cada sete a 15 dias para acompanhamento médico.
Durante as consultas, a menina passa por exames de sangue e pela troca do curativo do Cateter Central de Inserção Periférica (PICC), dispositivo utilizado para facilitar a administração de medicamentos.
Especialista
Ao g1, o médico oncologista Fernando Yaeda informou que o PEComa é um tumor raro de partes moles que se desenvolve a partir de células localizadas ao redor dos vasos sanguíneos. Ele faz parte da família dos sarcomas e pode surgir em diferentes órgãos.
A doença é mais comum em mulheres adultas, mas também pode aparecer em crianças. Nem todos os PEComas são malignos, e o comportamento do tumor depende de suas características.
“O grande desafio do PEComa é que ele não tem sintoma próprio. Os sinais dependem de onde o tumor cresce e costumam ser confundidos com doenças muito mais comuns”, explicou.
De acordo com o especialista, a cirurgia é o principal tratamento quando o tumor pode ser retirado. Em casos em que a doença está espalhada ou não pode ser completamente removida, podem ser utilizados tratamentos medicamentosos, como quimioterapia e terapias-alvo.
Áurea luta por prótese após amputação de braço.
Arquivo Pessoal