Homem é condenado a 36 anos de prisão por assassinar açougueiro em 'tribunal do crime', em Piracicaba

  • 04/06/2026
(Foto: Reprodução)
Imagem de arquivo de Fórum em Piracicaba Edijan Del Santo/EPTV O Tribunal do Júri de Piracicaba (SP) condenou, nesta quarta-feira (3), Robert Mytchell Egídio Faria, conhecido como Ró, a 36 anos e quatro meses de prisão por ordenar o sequestro, a execução e a ocultação do corpo do açougueiro Edvan Torres da Silva. O caso aconteceu em janeiro de 2025. O assassinato teria acontecido em contexto de "tribunal do crime", que é uma prática adotada por facções criminosas para julgar e punir pessoas. Cabe recurso da decisão. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp Segundo a investigação, outras pessoas não identificadas participaram. O corpo da vítima ainda não foi encontrado. Ao g1, o advogado Marcelo Borrasca afirmou que Robert é inocente e que irá recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) pedindo a anulação do julgamento. Se o pedido não for aceito, o defensor pretende reverter a pena aplicada — leia a manifestação completa abaixo. Tribunal do crime O homicídio teria sido motivado por uma acusação de abusos sexuais realizados por Edvan contra uma menina desde os cinco anos — a atual idade dela não é conhecida. Essa suspeita contra a vítima não foi analisada pela Justiça. Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), o açougueiro de 45 anos foi retirado de sua casa, no bairro Bosque dos Lenheiros, em Piracicaba, e levado ao chamado “tribunal do crime”, onde foi executado por criminosos ligados ao tráfico de drogas. Robert é apontado como integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e teria ordenado o sequestro e a execução da vítima. De acordo com o promotor Aluisio Antonio Maciel Neto, o acusado possuía outra condenação por tráfico. Inclusive, quando o assassinato de Edvan aconteceu, Robert cumpria pena em liberdade no regime aberto. "A condenação representa uma firme resposta da sociedade, por meio de seus jurados, à violência imposta por organizações criminosas que pretendem substituir as instituições do Estado por mecanismos clandestinos de julgamento e execução de pessoas, reafirmando que não há espaço para a atuação de facções criminosas como estruturas paralelas de poder", disse o promotor. 'Estado Paralelo' Segundo a delegada Juliana Ricci, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba, os criminosos atuaram como um "estado paralelo", condenando Edvan à morte sem qualquer intervenção ou julgamento da Justiça. "A gente não sabe se aconteceu [o crime sexual], porque esse reconhecimento da existência do crime sexual não foi feito pelo Poder Judiciário, pelos órgãos constituídos do Estado. Foi feito por um estado paralelo e com base no que eles reconheceram", explicou a delegada. A decisão desta quarta reconheceu que Robert cometeu três crimes, resultando na pena de 36 anos e quatro meses de prisão: Sequestro Homicídio qualificado Ocultação de cadáver Busca por respostas Filha denuncia desaparecimento do pai após julgamento por facção criminosa em Piracicaba A filha de Edvan, que mora na Zona Leste de São Paulo (SP), conversou com o programa Profissão Repórter, da TV Globo, sob proteção de identidade para garantir sua segurança. Ela relatou que falava com o pai diariamente e que sua maior dor é a falta de oportunidade para esclarecer os fatos. "Ele não teve como provar a inocência dele. Ele não teve nem essa oportunidade de sabermos se era mentira ou verdade. Ele já foi julgado sem menos se defender", afirmou. Questionada sobre as acusações de abuso sexual contra o pai, a jovem disse viver um conflito emocional. "Eu não sei. Eu fico de mãos atadas, porque é difícil esperar isso de uma pessoa que me criou", desabafou. A filha deseja dar uma despedida digna a Edvan e tem esperança que as investigações possam localizar o corpo da vítima, que morava com a esposa e a enteada. "É meu pai, né? Mesmo que estão falando, dizendo, foi ele a pessoa que me pôs no mundo. E eu quero, sim, reencontrar meu pai, né, ou o resto do que deixaram para eu poder enterrar e dar meu último adeus", lamentou. O que diz a defesa de Robert O réu e sua defesa constituída, com o devido respeito ao conselho de sentença, não concordam com o veredito proferido. A defesa sustenta que a materialidade e autoria delitivas não foram comprovadas nos autos. Diante disso, será interposto recurso perante o Tribunal de Justiça, visando à anulação do julgamento por manifesta contrariedade à prova dos autos. Subsidiariamente, caso não seja acolhido o pedido de anulação, a defesa ressalta que a pena aplicada também será objeto de discussão em segunda instância, por meio de recurso próprio, com o devido respeito ao juízo togado. O réu é inocente e buscará todas as esferas do Poder Judiciário para a reforma da decisão, por entender que ela se mostra manifestamente contrária às provas produzidas. VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/06/04/homem-condenado-prisao-assassinar-acougueiro-tribunal-crime-piracicaba.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

WhatsApp (15) 4141-1741

Anunciantes