Entidades pedem ao MPF apuração de denúncias sobre suposta rede de exploração sexual de mulheres ligada a Vorcaro

  • 16/10/2026
(Foto: Reprodução)
Daniel Vorcaro Divulgação Setenta pessoas e organizações ligadas à defesa dos direitos humanos, a movimentos sociais e à sociedade civil encaminharam ao Ministério Público Federal (MPF), na tarde desta sexta-feira (16), uma manifestação pública que pede a investigação de possíveis crimes de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual relacionados a uma estrutura de agenciamento de mulheres atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O documento também solicita a apuração de possíveis abusos contra mulheres refugiadas e de eventual participação de crianças e adolescentes em situações de exploração ou em esquemas de corrupção. A iniciativa tem como base informações publicadas pelo UOL na última terça-feira (13), na reportagem “Vorcaro era sócio oculto de agência de prostituição e recrutou refugiadas”. O ex-banqueiro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal no dia 4 de março, em São Paulo, em uma investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras. Em nota enviada pela defesa, Daniel Vorcaro negou envolvimento com uma rede de prostituição (veja mais abaixo). Segundo a manifestação, a reportagem descreve uma suposta estrutura de recrutamento, seleção, deslocamento, hospedagem e disponibilização de mulheres brasileiras e estrangeiras para eventos privados no Brasil, com menções a São Paulo e ao Rio de Janeiro, e no exterior. Entre os elementos destacados pelas entidades como pontos que devem ser apurados pelo MPF estão: Possível abuso da vulnerabilidade de refugiadas: diálogos sobre uma jovem ucraniana de 19 anos, cuja cidade de origem teria sido atingida pela guerra e que enfrentaria dificuldades para retornar com segurança ao país. Segundo as mensagens reproduzidas na reportagem, um intermediário afirmou tê-la mantido no grupo enquanto discutia seu ingresso na agência, antes de ela se refugiar na Itália. Mecanismos de controle e submissão: mensagens atribuídas aos envolvidos mencionam termos como “doutrinação”, obediência às escolhas do organizador, necessidade de autorização para pagamentos e controle sobre a permanência ou o desligamento de mulheres do grupo. Possíveis restrições à autonomia: registros mencionam a retirada dos celulares de participantes durante um evento realizado em Londres. Uso de mulheres em negociações empresariais: as entidades pedem que seja investigada a hipótese de mulheres terem sido tratadas como “ativos” ou contrapartidas para obtenção de favores, contratos ou influência em eventos com empresários e autoridades. Possível participação de menores de idade: a manifestação destaca o uso de expressões como “creche” e “Mucilon” nas mensagens e pede a verificação da idade das participantes desde o primeiro contato, para apurar eventual aliciamento de crianças e adolescentes. Entre as entidades signatárias estão a Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude (ASBRAD), o Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI), o Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), a Comunidade Congolesa no Brasil (CCB), os Círculos de Hospitalidade, a Memipaz (Coletiva Mulheres em Migração pela Paz), a Organização de Resgate de Refugiados Afegãos (ARRO), o Instituto Social ÁGATHA em Defesa da Mulher, a The Exodus Road, a The Justice Movement e a União Social dos Imigrantes Haitianos (USIH). A lista também inclui representantes ligados à Comissão de Direitos Humanos, dos Migrantes e ao Combate à Xenofobia do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE), além de profissionais, pesquisadores e ativistas. Leia também Entenda como se formou a nova rota internacional de tráfico humano que levou 23 brasileiros do Camboja até Madagascar Brasileiros vítimas de tráfico humano são resgatados e famílias comemoram Jovens escravizados em Mianmar eram obrigados a dar golpes em brasileiros "A adesão de tantos movimentos e pessoas que atuam no enfrentamento ao tráfico humano, migrações, na defesa dos direitos das mulheres e da própria comunidade ucraniana mostra que todos ficaram estarrecidos com tais revelações e como sociedade civil estamos dispostos a somar forças buscando respostas. Hoje a principal pergunta é: cadê e quem são essas vitimas? É fundamental dar visibilidade às denúncias, cobrar apuração rigorosa e garantir que possíveis violações de direitos não sejam silenciadas", afirmou a ativista Swany Zenobini. E ressaltou: "Essa união fortalece a pressão pública por justiça e responsabilização. Acredito que a nossa indignação diante do que foi exposto essa semana precisa se transformar em ação". Enquadramento legal e distinção da prostituição consensual A manifestação distingue o exercício voluntário da prostituição por adultos do tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. Segundo o documento, a atividade voluntária não constitui crime no Brasil, e a representação não pretende questionar a autonomia das trabalhadoras do sexo. A investigação, afirma o texto, deve se concentrar na eventual existência de violência, fraude, coação ou abuso de vulnerabilidade no recrutamento, transporte, alojamento ou acolhimento de pessoas para exploração sexual. Na conclusão, as entidades repudiam práticas que transformem mulheres em instrumentos de vantagens econômicas ou relações de poder, especialmente quando sua necessidade de moradia, subsistência ou proteção migratória é explorada. O documento defende uma apuração diligente e imparcial, sem prejulgamento, e afirma que a responsabilização deve ocorrer caso as condutas sejam comprovadas pelas provas. Requerimentos direcionados ao Ministério Público Federal Diante dos fatos, as entidades solicitaram formalmente ao MPF uma série de providências, destacando-se para: abertura de procedimento investigatório articulado com a Polícia Federal, investigação específica sobre o abuso da posição de vulnerabilidade de mulheres refugiadas e solicitantes de refúgio; apuração da participação de agências de modelos, empresas e intermediários, bem como o rastreio da origem e destinação dos pagamentos e passagens; realização de perícias e obtenção lícita dos registros de mensagens, dados de viagem e documentos contratuais; garantia de medidas imediatas de proteção, apoio psicossocial, jurídico e regularização migratória às possíveis vítimas, sem condicionar a assistência à colaboração com o processo penal. O que diz Vorcaro "É absurdo ver frases pinçadas, conversas, áudios e prints descontextualizados falarem por mim, enquanto permaneço preso e sem o direito de falar oficialmente. Além de expor indevidamente minha intimidade e violar minha privacidade, esses vazamentos colocam em risco a segurança da minha família e apresentam à sociedade uma história enviesada, sujeita ao uso político e à manipulação da opinião pública. Nego veementemente que tenha, em algum momento, explorado ou desrepeitado mulheres. Isso não é da minha índole. Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei. Afirmo que não reconheço a autoria, a autenticidade e o contexto de vários dos conteúdos vazados. A manipulação criminosa de mensagens privadas obtidas ilicitamente só serve para ofuscar os reais problemas do país e serão objeto de responsabilização cível e criminal no seu devido tempo. Reitero que quero falar de forma objetiva e transparente sobre todos os assuntos investigados e todas as minhas relações. Sei da importância desses esclarecimentos e quero prestá-los com responsabilidade, pelas vias adequadas e com respeito ao devido processo legal. Manifesto de forma clara toda a minha disposição para colaborar com as investigações para que todos conheçam a verdade por inteiro". Vorcaro depõe sobre a negociação de venda do Master para o BRB

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/10/16/entidades-pedem-ao-mpf-apuracao-de-denuncias-sobre-suposta-rede-de-exploracao-sexual-de-mulheres-ligada-a-vorcaro.ghtml


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