Eleitores com nome social crescem 32% em Campinas: 'Exercendo o meu direito'
08/08/2026
(Foto: Reprodução) Campinas tem alta de 32% em eleitores com nome social no título em 2026
O número de eleitores que vão usar o nome social nas eleições de outubro cresceu 32% em Campinas (SP), passando de 308 em 2022 para 407 neste ano.
Nas 49 cidades da área de cobertura da EPTV, o aumento foi de 6,6%, com um total de 3.153 pessoas aptas a votar com o documento atualizado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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O uso do nome social no título de eleitor é um direito garantido pela Justiça Eleitoral desde 2018. A medida busca assegurar o respeito à identidade de gênero de travestis, transexuais e pessoas não binárias, evitando o constrangimento de serem chamadas pelo nome de registro no momento da votação.
A advogada Ana Carolina Camargo de Oliveira, vice-presidente da Comissão de Diversidade da OAB Campinas, explica que a alta na cidade é fruto do trabalho de entidades que combatem a desinformação.
Entre as instituições que atuam em conjunto na metrópole para promover inclusão estão:
Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Campinas;
Centro de Referência LGBT da Prefeitura;
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp);
Associação da Parada LGBT.
O estudante Leo Pereira Muniz, de 19 anos, é um homem trans e votará com o nome social pela primeira vez
Márcio de Campos/EPTV
Primeira eleição
O estudante Leo Pereira Muniz, de 19 anos, é um homem trans e votará com o nome social pela primeira vez. Ele conta que já havia alterado o documento de identidade aos 14 anos, mas preferiu aguardar a maioridade para atualizar o registro eleitoral devido à burocracia do processo.
"A maior sensação é essa ideia de não vou estar votando com alguém que não sou eu, sabe? E relembrar que eu sou uma pessoa trans, exercendo o meu direito de voto, e isso acho que é a parte mais importante, relembrar que esse nome não simboliza só uma identidade pessoal, mas também uma identidade coletiva", afirma o estudante.
Para a estudante Sam Amber Oliveira Mudo, também de 19 anos, o título de eleitor foi o primeiro documento oficial a trazer seu nome social. Ela, que é uma pessoa não binária, relata que sentia receio de não conseguir fazer a inclusão na hora do atendimento no cartório.
"Eu perguntei na hora se eu poderia usar o meu nome e eles falaram que sim, que era uma opção. Eu fiquei bem mais segura. [...] Poder votar em quem eu quero, do jeito que eu quero, nos meus termos, sabe? Então vai ser minha primeira eleição e primeira com o meu nome", diz Sam.
Para a estudante Sam Amber Oliveira Mudo, também de 19 anos, o título de eleitor foi o primeiro documento oficial a trazer seu nome social
Márcio de Campos/EPTV
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