Como antiga Fazenda Monte Alegre e coronel transformaram Ribeirão Preto, SP, em potência mundial do café

  • 13/06/2026
(Foto: Reprodução)
Como antiga Fazenda Monte Alegre e coronel transformaram Ribeirão em potência do café A história de Ribeirão Preto (SP) está diretamente ligada ao café e um dos principais símbolos desse período é a antiga Fazenda Monte Alegre, propriedade que ajudou a transformar a cidade em referência mundial na produção do grão. O café também consolidou a trajetória do coronel Francisco Schmidt, conhecido como o "Rei do Café". No auge da produção cafeeira, ele chegou a ter 16 milhões de pés de café nas fazendas que administrava, espalhadas pelo interior de São Paulo. Esta reportagem faz parte da série 'Histórias Escondidas', uma produção especial da EPTV, afiliada da TV Globo, para celebrar os 170 anos de Ribeirão Preto, comemorados em 19 de junho. Curiosidades, personagens marcantes e fatos que pouca gente conhece ajudam a entender a trajetória de uma das cidades mais importantes do estado de São Paulo. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp A chegada do café no Brasil O início do século XVIII marcou a chegada do café ao Brasil, então colônia de Portugal, pelas mãos do português Francisco de Melo Palheta, que trouxe os grãos para a região Norte do país. Algumas décadas depois, o café já era cultivado no Maranhão e no Pará, expandindo-se depois para o Rio de Janeiro. O primeiro contato do Estado de São Paulo com o produto foi somente na década de 1830, quando o grão chegou ao Vale do Paraíba. A expansão da cafeicultura na região de Ribeirão Preto ganhou força a partir de 1876, quando o médico e agrônomo Luiz Pereira Barreto passou a divulgar as qualidades da terra roxa para o cultivo do café. O solo fértil atraiu investidores e produtores para o interior paulista, impulsionando o desenvolvimento econômico de Ribeirão Preto. Vista de trabalhadores junto à locomotiva e vagões para transporte de café na Fazenda Chimborazo da Companhia Agrícola Ribeirão Preto Arquivo Histórico de Ribeirão Preto De acordo com o livro Filhos do Café: Ribeirão Preto da Terra Roxa, antes da chegada do café, a Fazenda Monte Alegre pertencia a João Franco de Moraes Octávio, que se dedicava à criação de gado e à agricultura. Em 1890, a propriedade foi adquirida por Francisco Schmidt e Arthur Diederichsen. Pouco tempo depois, Schmidt tornou-se o único proprietário da fazenda. O Rei do Café Imigrante alemão, Schmidt chegou ao Brasil ainda criança e construiu um império agrícola a partir da compra e administração de fazendas. Com apoio financeiro de empresas exportadoras, expandiu os negócios para diversas cidades da região, incluindo Ribeirão Preto, Sertãozinho, Brodowski, Serrana, Franca e Orlândia. No auge, chegou a possuir 62 fazendas e cerca de 16 milhões de pés de café. Em 1913, Francisco Schmidt era considerado o maior produtor individual de café do Brasil e recebeu o título de “Rei do Café”. A importância de Ribeirão Preto na economia cafeeira era tão grande, que a cidade ficou conhecida como “Capital do Café”, reunindo alguns dos maiores produtores do mundo. Coronel Arthur Diederichsen (à esquerda), Coronel Francisco Schmidt (no centro) e Dr. Francisco de Freitas Ramos Arquivo Histórico de Ribeirão Preto O sucesso da produção cafeeira também foi impulsionado pela chegada da Estrada de Ferro Mogiana a Ribeirão Preto, em 1883. A ferrovia reduziu os custos de transporte e permitiu que o café produzido na região chegasse ao Porto de Santos para exportação aos mercados internacionais. As grandes fazendas passaram a contar com ramais ferroviários próprios, que facilitavam o escoamento da produção e fortaleciam os vínculos entre os cafeicultores e as casas exportadoras e instituições financeiras. Da fazenda à USP A crise econômica de 1929 marcou o início do declínio da cafeicultura como principal economia da região. Com o passar das décadas, a Fazenda Monte Alegre deixou de exercer o protagonismo produtivo que teve no início do século XX. Em 1942, o Governo do Estado instalou no local a Escola de Agricultura “Getúlio Vargas”. Dez anos depois, parte da área passou a abrigar unidades da Universidade de São Paulo (USP), dando origem ao atual campus da instituição em Ribeirão Preto. A antiga sede da fazenda foi transformada em museu e tornou-se um dos principais marcos da preservação da memória cafeeira da cidade. O local, porém, está fechado por falta de manutenção há quase uma década, mas existem projetos em curso para restauração do memorial. Museu Histórico e Museu do Café em Ribeirão Preto continuam fechados por tempo indeterminado Valdinei Malaguti/EPTV *Sob a supervisão de Flávia Santucci Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/aniversario-ribeirao-preto-170-anos/noticia/2026/06/13/como-antiga-fazenda-monte-alegre-e-coronel-transformaram-ribeirao-preto-sp-em-potencia-mundial-do-cafe.ghtml


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