Comandos em alemão, treinos e cuidados 24h: 'tietados' nas redes, cães farejadores de Viracopos seguem rotina rígida no combate ao tráfico

  • 28/03/2026
(Foto: Reprodução)
'Tietados' nas redes, cães farejadores seguem rotina rígida no combate ao tráfico Imagine uma vaga aberta para cão farejador na Receita Federal. Requisitos: faro apurado, saúde em dia, instinto de caça aguçado e disposição para treinar todos os dias. Também ajuda conhecer comandos em alemão e lidar bem com a rotina movimentada de um aeroporto internacional. 🐶 Ser fofinho e fazer sucesso nas redes sociais? Não é obrigatório, mas pode ser considerado um diferencial. No Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), cães treinados ajudam diariamente a Receita Federal na fiscalização de passageiros, bagagens e cargas. Conhecidos por muitos viajantes que passam pelo terminal e também “tietados” nas redes sociais, os cães participam de operações de combate ao tráfico de drogas e entram em ação sempre que necessário. Dark, por exemplo, é um dos cães farejadores em atividade no terminal e já acumula 16,8 mil seguidores no Instagram. O perfil é atualizado pelo próprio condutor do animal, que mostra a rotina da dupla, os bastidores dos treinamentos e até curiosidades sobre as apreensões. “Começou com o Black, que foi o nosso primeiro cão aqui no Aeroporto de Viracopos. A gente sentiu a necessidade de ter esse contato com as pessoas, explicar um pouco mais o trabalho”, explica Cleiber Ferreira, analista tributário da Receita Federal. Nos comentários, os elogios não param. “Tão lindo fazendo as coisinhas de cachorro dele 💖”, escreveu uma seguidora. “Iti malia! Quem é o policial mais lindo e competente? 🖤”, comentou outra. Segundo o agente, a presença dos cães também ajuda a tornar as fiscalizações mais leves no aeroporto. “Quando eu vou fiscalizar a pessoa, ela já se sente incomodada. Agora, se o cão fiscaliza, o humor é outro. A pessoa se sente mais à vontade, acha bonitinho, inclusive”, diz. Segundo a Receita Federal, os cães farejadores ajudaram a apreender 7.492 kg de drogas no Aeroporto de Viracopos nos últimos quatro anos. Veja o detalhamento abaixo. Os números são apresentados em quilos. Dark, cão farejador da Receita Federal, acumula 16,8 mil seguidores no Instagram Reprodução/Instagram Bons de faro Antes de começar a trabalhar, porém, esses cães passam por uma preparação rigorosa. O treinamento aproveita uma habilidade que os cães já têm naturalmente: o faro extremamente desenvolvido. Durante o treinamento, o cheiro da droga é associado a uma recompensa, normalmente um brinquedo. Quando o cão identifica o odor específico durante uma busca, ganha o que realmente quer e pode brincar. “Muita gente pergunta: 'vocês estão maltratando o cão, vocês estão obrigando ele a trabalhar'. Então, percebam: todo esse trabalho que a gente faz aqui é para um cão que instintivamente é caçador. A gente usa o instinto de caça dele ao nosso favor”, frisa Cleiber. Para ele, a falta de estímulo poderia ser mais prejudicial para o animal do que a própria rotina de trabalho. “Quando eu pego esse cão e levo ele para dentro de uma casa, para dentro de um apartamento e não estimulo ele cognitivamente, aí sim eu estou causando maus-tratos para aquele cão, porque eu tiro a função dele no mundo, que é de caçar”, diz. No aeroporto, os cães seguem uma rotina que inclui horários definidos para alimentação, exercícios, descanso e treinamento. Para garantir que tudo funcione, há uma equipe de tratadores responsável pelos cuidados dos animais 24 horas por dia. A alimentação é dividida em três momentos ao longo do dia. Entre um passeio e outro, também entram na agenda exercícios físicos, treinos de faro e as próprias operações de fiscalização no aeroporto. Infográfico - Cães farejadores de Viracopos Arte/g1 Nem todo candidato passa Assim como em qualquer processo seletivo, nem todo cão que começa o treinamento acaba trabalhando em um aeroporto. O processo de formação pode levar de seis meses a 1 ano, dependendo da equipe responsável e do perfil do animal. “Com todas as características, tudo certinho, momento certo, temperatura, pressão, ambiente, em três meses você consegue formar um cão. De três a quatro meses é possível formar um cão para faro”, explica o servidor. Mesmo assim, alguns animais não se adaptam à rotina intensa do aeroporto, com barulho constante e movimentação de pessoas e aeronaves. Quando isso acontece, o cão pode ser direcionado para outra unidade ou para um tipo diferente de atividade. Parceria que dura anos 🤝 Cada cão trabalha sempre com o mesmo condutor durante a carreira operacional. A relação é próxima, mas, segundo Cleiber, precisa ser encarada antes de tudo como uma parceria profissional. “O condutor tem que ter em mente que ele não é um pet”. Segundo ele, esses cães precisam ser tratados como atletas de alto desempenho. “Ele é um cão de alta performance, é como se fosse um atleta olímpico. Precisa de rotina, precisa de treinamento e precisa de todas as condições para ele trabalhar bem”. "Obviamente, a gente tem um carinho pelo cão. A gente já está há cinco anos juntos. Assim que ele se aposentar, ele vai ficar comigo. Vamos continuar essa jornada, seja trabalhando aqui no aeroporto, seja em casa", garante Cleiber. Quando chega a hora da aposentadoria, os próprios condutores podem ficar com os cães, que passam a ter uma rotina mais tranquila, mas ainda com atividades para manter o estímulo mental. Cleiber destaca que, mesmo aposentados, muitos continuam frequentando o ambiente de trabalho de vez em quando. “Imagina na natureza um cão que foi caçador a vida inteira. Ele vai se aposentar? Ele vai deixar de caçar? Então não existe para o cão a aposentadoria em si. O que existe é uma redução na jornada de trabalho”, afirma. Ruffos e Dark, cães farejadores da Receita Federal no Aeroporto de Viracopos Reprodução/Instagram VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/03/28/comandos-em-alemao-treinos-e-cuidados-24h-tietados-nas-redes-caes-farejadores-de-viracopos-seguem-rotina-rigida-no-combate-ao-trafico.ghtml


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