Caiado critica visita de Milei ao Brasil e diz que eleição deve ser decidida pelos brasileiros
27/07/2026
(Foto: Reprodução) Ronaldo Caiado (PSD) e autoridades durante abertura da Coopercitrus Expo em Bebedouro (SP)
Samuel Santos/CBN Ribeirão
Candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD) esteve nesta segunda-feira (27) em Bebedouro (SP) e criticou as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, que participou em evento do PL, em São Paulo (SP), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
No último sábado (25), Milei fez ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem chamou de “lixo careca”.
“Uma eleição é decidida no seu país, é inadmissível ingerência de qualquer outro país na sua campanha eleitoral, até porque faz parte da liturgia de um presidente da República saber se ausentar das discussões de outros países. Isso é respeito com o povo que realmente está lá decidindo a sua condição e definindo quem é o seu candidato ou quem deve ser eleito no país”, disse Caiado.
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As ofensas contra Moraes aconteceram depois que o ministro negou o pedido de Milei para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. Visitas com finalidade "político-eleitoral" estão suspensas até o final das eleições por determinação do ministro.
Segundo Caiado, a participação de líderes estrangeiros na disputa eleitoral brasileira representa uma interferência indevida no processo democrático do país.
O candidato considera que a atitude do presidente argentino foi “deplorável” e não contribui para o debate sobre os problemas enfrentados pela população.
“Essa grosseria não consumiu nada. Pelo contrário, foi uma atitude deplorável de alguém que acha que pode se dirigir a qualquer pessoa no nosso país da maneira como foi colocado. Isso não acrescenta”, afirmou.
Polarização e política externa
Caiado também criticou o clima de polarização política e disse que tanto o governo Lula quanto os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro recorrem a provocações que desviam o foco dos temas de interesse da população.
“Fica o Lula agredindo o Trump, falando da dentadura dele, falando da grosseria dele, provocando o Trump, e fica o Flávio trazendo pessoas que vêm aqui agredir o processo político eleitoral. Então, independente de que lado seja, nós não podemos admitir essa ingerência externa. Nós brasileiros saberemos definir e decidir o próximo presidente da República.”
Milei e Flávio Bolsonaro durante o lançamento da campanha do senador à presidência
Reuters/Jean Carniel
O candidato do PSD também criticou a condução da política externa brasileira. Segundo ele, o Itamaraty perdeu protagonismo e precisa voltar a exercer um papel técnico e institucional.
“O Itamaraty brasileiro hoje virou uma esculhambação, um braço do PT. Sempre foi uma referência para o Brasil, com chanceleres que construíram seu nome em grandes momentos da vida mundial”, declarou.
Nesta feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comparou a economia brasileira à argentina e classificou o presidente do país vizinho como "palhaço". A declaração foi dada à "Rádio Jornal", de Pernambuco.
Segundo o ministro, o risco-país brasileiro está melhor do que o argentino, o Brasil está com mínima de desemprego, de inflação, e recordes na balança comercial, assim como safra expressiva e desmatamento em queda.
"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta", declarou o ministro da Fazenda.
Após a declaração, Durigan falou à GloboNews e afirmou que a declaração dele foi feita de forma autônoma, e não representa uma posição do governo.
Segundo Caiado, as disputas entre Lula e Bolsonaro alimentam a radicalização política e afastam o debate das demandas da população.
“Foi lamentável o que nós vimos nesses dias. Lamentável por parte dos dois candidatos, porque um se alimenta da radicalização contra o outro e desvia do debate dos assuntos que são de interesse da população brasileira”, disse.
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