Aval das esposas e alfaiate de confiança: os bastidores da elegância de Lourenço & Lourival
30/08/2026
(Foto: Reprodução) Lourenço & Lourival revelam bastidores da elegância por trás dos looks
Ternos impecavelmente cortados, coletes ajustados, camisas de colarinho rígido, gravatas e cabelos alinhados. Aos 90 e 86 anos, respectivamente, Lourenço & Lourival mantêm o cuidado com a aparência como parte inseparável da trajetória que fez dos irmãos a dupla mais longevas da música sertaneja no Brasil.
Na noite da última terça-feira (25), o visual da dupla chamou a atenção do público da 71ª Festa do Peão de Barretos. No palco Amanhecer, os dois apareceram mais uma vez com figurinos milimetricamente alinhados. A escolha das peças, segundo eles, passa pelo crivo das esposas e termina nas mãos de um alfaiate de confiança.
FOTOS: Trio Parada Dura e Lourenço & Lourival na Festa do Peão de Barretos
“O alfaiate é o Zezinho. Eu tenho pouco terno dele”, brinca Lourival. “Deve ser uns 12 ou 13, só do Zezinho”, completa Gauchinha, esposa de Lourival.
Para a apresentação, Lourenço apostou em um conjunto clássico de terno bege, combinado com camisa branca e gravata bordô. Já Lourival escolheu o contraste entre o terno preto, camisa branca e gravata rosa.
Para a dupla, vestir-se bem é uma forma de respeito com quem está do outro lado do palco e também uma maneira de preservar a identidade construída desde os primeiros anos de carreira.
“A gente já tem uma idade avançada, você vai subir no palco de qualquer jeito?”, pontua Lourenço.
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Lourenço e Lourival no palco Amanhecer da Festa do Peão de Barretos 2026
Érico Andrade/g1
Sete décadas de história
A preocupação com a imagem acompanha os irmãos desde os primeiros passos artísticos, ainda em meados dos anos 1950. Nascidos no interior de São Paulo, os sertanejos começaram a carreira em uma época em que o rádio e os programas de auditório eram os principais palcos para artistas populares.
Naquele período, os figurinos arrumados ajudavam a compor a imagem de quem chegava aos palcos para cantar e também funcionavam como uma espécie de cartão de visitas dos novos artistas.
Gauchinha, ao centro, com a dupla Lourenço e Lourival, de Ribeirão Preto (SP).
Arquivo pessoal
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Ao longo de sete décadas, o guarda-roupa da dupla também acompanhou as mudanças de cada época. Se nos anos dourados do rádio predominavam a alfaiataria sóbria e os cortes tradicionais, as décadas de 1970 e 1980 trouxeram peças mais soltas, padronagens marcantes, tecidos acetinados e estampas divertidas.
As tendências mudaram, mas Lourenço & Lourival preservaram como característica a preferência por ternos completos, paletós estruturados e escolhas que harmonizam entre si.
Passagem por Barretos
No palco da maior festa de rodeio da América Latina, Lourenço & Lourival dividiram microfones com o Trio Parada Dura em um encontro que reuniu milhares de fãs. Juntas, as formações carregam mais de 120 anos de história dedicados à música caipira.
Convidados pelo Trio a subir ao palco, os irmãos relembraram as próprias origens com muito carisma, acompanhados por Gauchinha, esposa de Lourival.
“São só 70 anos de carreira. Eu comecei com 11 anos e ele com 8 para 9 e estamos até hoje”, contou Lourenço.
O repertório colocou milhares de pessoas para cantar junto e resgatou clássicos da música sertaneja de raiz. A sintonia entre os veteranos apareceu em sucessos como “Como Eu Chorei”, “Relógio Quebrado” e “Cavalo Preto”.
Trio Parada Dura e Lourenço & Lourival fazem show histórico no Barretão
Érico Andrade/g1
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